terça-feira, 25 de agosto de 2009

Infâncias

É pequenina e corre no campo. Tenho-lhe pena. Desconhece o que a espera. Esbanja sorrisos (julgo que, se soubesse que mais tarde lhe iriam escassear, teria poupado alguns) e alegria pura e honesta. Todos lhe invejam a vivacidade e a vagem da idade. É muito bonita e tem olho quase verde, características que lhe proporcionam os mais ridículos elogios (ou pelo menos assim os sente). Não gosta que lhe comentem atributos. Prefere passar discreta, incógnita, uma entre milhões.

E lá vai ela. Caça borboletas, Robin dos Bosques feminino, Pocahontas lusitana, Peter Pan na Terra do Nunca. Lá vai ela. Astronauta. Lá vai ela.

E ela foi. Sozinha. E há de resistir a todas as provações, sozinha. E há de vencer, sozinha. E há de lá chegar, realizar seus sonhos, sozinha. E há de ser feliz.

Papoila

Ela. E as outras pessoas.

Não existem prioridades. Diz 'amanhã vai ser diferente'. Eu acredito. A diferença está no quanto a minha dor vai crescer. E já entorna por todos os lados.

Papoila

Have you ever really loved a woman?

I miss you quite a lot.
Five days to go.

To really love a woman, to understand her
You gotta know her deep inside
Hear every thought, see every dream
An' give her wings when she wants to fly
Then when you find yourself lyin' helpless in her arms
You know you really love a woman

When you love a woman
You tell her, that she's really wanted
When you love a woman you tell her that she's the one
'Cuz she needs somebody
To tell her that it's gonna last forever
So tell me have you ever really
Really, really ever loved a woman?
Yeah

To really love a woman, let her hold you
Til' you know how she needs to be touched
You've gotta breathe her, really taste her
Til' you can feel her in your blood
An' when you can see your unborn children in her eyes
You know you really love a woman

When you love a woman
You tell her that she's really wanted
When you love a woman you tell her that she's the one
'Cuz she needs somebody
To tell her that you'll always be together
So tell me have you ever really
Really, really ever loved a woman?

Oh
You've got to give her some faith, hold her tight
A little tenderness, you gotta treat her right
She will be there for you, takin' good care of you
You really gotta love your woman, ya

And when you find yourself lyin' helpless in her arms
You know you really love a woman

When you love a woman
You tell her that she's really wanted
When you love a woman you tell her that she's the one
'Cuz she needs somebody
To tell her that it's gonna last forever
So tell me have you ever really
Really, really ever loved a woman?
Yeah

Just tell me have you ever really
Really, really, ever loved a woman?
Oh
Just tell me have you ever really
Really, really, ever loved a woman?

Have you ever really loved a woman?
Brian Adams

(verdadeiramente lame, meu amor, mas para ti, read it carefully)

Papoila

Bússola Eleitoral


Pelo menos uma coisa tod@s teremos em comum no resultado:
a distância do Partido Nacional Renovador!

Papoila

Ténnis

Hoje vou jogar até ficar com esta cara.
Mas o que me apetecia mesmo era um jogo de futebol.
Papoila

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Happy Family

Isto dá-me alguma força.
Papoila

Romance

Queria um conto de fadas. Queria ramos de flores a perder o fim. Ou só um, com nota, entregue ao destinatário por um carteiro. Queria pedidos de amor secretos. Queria namorar à janela. Queria sentir-me voar, como no Titanic, contigo a cantar-me ao ouvido. Queria jantares românticos, velas acesas, sala vazia e música de fundo. Queria dançar com paixão, contigo nos meus braços. Queria lançar um balão de ar quente com os nossos nomes, à noite, quando se vê o pavio arder. Queria pedir-te, na Torre Eiffel, para casares comigo. Ou em qualquer lugar mais bonito que descubra entretanto. Queria um anúncio na rua com uma declaração de amor, anónima para todas as outras pessoas. Queria namorar numa praia deserta.

Queria tanto.

Papoila

Resposta

Hoje disseram-me que neste castelo, como lhe chamaram, costumam fazer casamentos. Tem uma ponte de madeira em frente que passa por cima de um rio pequeno, cheio de patinhos castanhos que, talvez por influencia do que já tenho visto por aqui, se transformam em cisnes. Há muita relva arranjada e uma pequena floresta, se assim quisermos chamar, com arvores e frescura.
Parece-te bem? Posso reservar?...

Orquídea

Memórias

Perguntaram-me como eras. Sorri, geralmente quem sabe de *nós* já te conhece e não tenho a oportunidade de te contar o que vejo em ti.
A primeira palavra que usei foi "humilde". Expliquei-lhe que dás tudo por quem estimas e que te doi tanto quando não o vês de volta. Digo-lhe que não és má para ninguém, que apenas te doi.
Contei-lhe do teu amor pela Medicina, de como falas com os velhotes e com as crianças da mesma forma carinhosa e apropriada para quem vai exercer esta profissão. Disse-lhe que, apesar das tuas dúvidas quando a sobrecarga de trabalho não te mostram os resultados que querias, era exactamente ali que devias estar.
Falei-lhe da fotografia. Contei-lhe de como era uma grande paixão tua e como consegues tirar fotografias felizes, de cores claras e alegres, como também tens um olho diferente para olhar o que te rodeia e descobrires a melhor forma de o captar.
Falei-lhe do teu riso, aquele que contagia quem está à tua volta, aquele que dás a quem adoras e que queres fazer feliz. Contei-lhe da entrega que tens pelas amizades sérias.
Disse-lhe que tinhas as ideias no lugar, que tinhas tudo bem organizado na tua cabeça, que sabias responder a tudo e que, por isso, tinhas um enorme sentido de justiça. E que te custava muito quando as pessoas não o respeitam.
Tinha tanto para contar, meu bem. A E. acordou e criou nova conversa e achei melhor terminar por ali. Os dias passam e acrescento detalhes. De qualquer das formas, serei incapaz de te descrever inteiramente. É esse o grande mistério. É o meu amor.
Orquídea

domingo, 23 de agosto de 2009

Eu também sei

Não era aquilo que me querias dizer. Mas eu também sei, também te conheço, sei o que queres realmente dizer com aquilo. Não deixo que acredites naquilo. Não deixo que te enganes a ti própria porque sei quem és, já passou tanto tempo que seria impossível não sabê-lo já.
Por isso, meu bem, não vou a lado nenhum. Sei que não me largas a mão e eu não quero deixar de sentir a tua. Lutamos juntas. Sempre.
Orquídea

Sonhos

A certa altura disseram:
Quem me dera estar aqui com com quem amo a ver esta chuva de folhas, a ouvir aquele concerto, pôr a cabeça no seu ombro.
Sorri por dentro. Estava a pensar no mesmo.
É curioso como chego a uma cidade que me deslumbra e em vez de a beber toda de uma vez, de tentar absorver tudo o que tem para me dar, tento deixá-la intacta, saber apenas onde tenho de ir, onde me aventurar, para que daqui a uns tempos, quando voltar contigo, seja tudo perfeito.
Esta cidade espera por nós.

Orquídea

Gia and Linda


Talvez seja o único filme sobre o qual não consigo tecer qualquer comentário em especial. É fantástico, envolvente e extremamente triste. E fico por aqui. Tento, mas não consigo mais.

Meu amor, alguma vez te disse que a Linda me lembra de ti? Tem um papel tão bonito no filme. Tão doce, tão querido. She's just perfect. Just like you are. (Well, maybe not that perfect.)

Papoila

On your way

Vens a caminho. Abri o Google Earth e tentei descortinar, por entre todas as serras, o percurso que estás a fazer. Perdi-me várias vezes, mas julgo que o consegui percorrer na totalidade. Atentei aos nomes das localidades, namorei as fotos, e sonhei contigo dentro do comboio.

Vais cansada, cabeça tombada para o vidro quente e tremeliço. Dormes de boca aberta, como tanto te envergonhas de fazer. Acalmo-te dizendo que é normal quando se está exausta. Uma das minhas mãos vai afastando a madeixa de cabelo que insiste em incomodar a tua bochecha, rosada. Encolhes-te com as cócegas e voltas a entrar no sono profundo, tão tipicamente teu.

Prometi acordar-te quando chegasses. Beijo nos lábios, beijo no ombro. E os teus olhos-mar abrem-se para mais uma noite.

Hoje prometo não me assustar. Não te assustar.

Perfect, Alanis Morissette
(música que acompanhou o processo criativo)
Papoila
Não li mais as tuas cartas, meu amor. Guardo-as, (a)perto, paras as sentir ali, mas não as leio. São demasiado tu para me dar ao luxo de te sentir a meu lado sem ter um corpo onde me perder.

Papoila

I Love You Tender

Amo-te. Amo-te tanto que deixarei que sejas sempre tu a acabar o bolo de natas com bolacha, cantares pela casa o mais alto que puderes sem dizer que saltaste um ou dois tons (para cima ou para baixo). Amo-te tanto que não me importarei de ser sempre eu a limpar a casa (para cuidares das tuas costas frágeis, que adoro). Amo-te tanto que serei infinitamente capaz de ouvir as tuas histórias, over and over again, com todos os pormenores que te sentires capaz de acrescentar.

Amo-te tanto que quero casar contigo, sem nunca antes ter querido casar.


Papoila

Desabafos #5

Most of the time pain can be managed but sometimes the pain gets you where you least expect it.

Papoila

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Warm Wind



Beijas-me?
Papoila

Gostas de mim...

...mesmo com estes pés?
Não sei o que se passou. :/

Orquídea

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Amanhã vamos passear de mão dada. Não quero saber de mais nada!

Orquídea

Quem és

Pediste-me para te lembrar de quem és. Estás de olhos fechados e assustada e não te encontras. Eu sei quem és, meu bem, e vou ajudar-te a lembrar.
O teu sorriso. Estás feliz e mostras-nos tanto dente branco e arranjadinho que é impossível não te devolvermos a simpatia. Falas de criaturas estranhas, de brincadeiras e cantas para nós. As letras são hilariantes e levam-me às lágrimas. Deixas todos os outros felizes. A vida corre bem.
És aqueles miminhos pequeninos. O abraço forte quando é preciso, és aquele braço por cima quando nos sentimos bem e vamos a caminho da paparoca.
És o riso incompreensível com algumas piadas muito fraquinhas minhas. És a minha alegria.
És muito mais.. E eu vou-te lembrar de tudo.

Orquídea

Tesouros de Infância

Warmth

Falas-me da minha pele. Alguma vez te falei da tua? De como é suave junto à clavícula (só eu sei como gosto de te beijar aí), de como tem um cheiro e uma textura tão doce atrás da orelha? Alguma vez te falei do jeito com que os meus dedos escorregam, facilmente, pela tua bochecha? Como adoro passear os meus lábios pelo teu queixo, com aquelas particularidades que ambas conhecemos, e subir para me deter uns minutos mais em cima? De como adoro, embora aproveite sempre para ripostar que 'a mim nunca ninguém me faz', massajar-te as costas. Sempre te disse que se conhecesse a dermatologista que te deixou tais cicatrizes, lhe daria uma descompostura considerável, mas a verdade é que adoro passear por elas e sentir os altinhos. Dizes-me que tenho as mãos perfeitas. Que os meus dedos são bonitos e não magricelas e tortuosos como os teus. Mas, meu amor, por mais que tente eles nunca terão a destreza que os teus têm a subir pelo meu pescoço acima e a puxarem-me de encontro a ti.

Amo-te.

Enfim. Há dias em que é preciso dizê-lo.

Papoila
Lembras-me que há um propósito. Que tudo pode estar trémulo, enevoado e em guerra fria, mas que há um propósito. Eu oiço-os, presto a tão custosa vassalagem e obediência a que me obrigam, e tento manter fixa a questão do propósito. Dizem-me que é um vírus. Que sou um monstro e que sou estúpida. E lá estou eu, tornada Cinderela descalça com anel na mão direita, a lutar para corresponder ao que esperam de mim sem nunca ser suficiente. Nunca basto. Nada do que faça lhes é completo ou satisfatório. E todos os argumentos que uso em minha defesa, com lágrimas ou sem elas, em desespero ou calma impávida, é por eles manejado da forma que mais lhes aprouver, deixando-os irremediavelmente vitoriosos. Até os sonhos me retingem, compactando-os e resumindo-os à simples questão de viver com comida na mesa. Já não há carinho, e sempre que me tento aventurar por essas águas, logo me é apresentada uma barreira. Um muro de Berlim, de betão moderno. Um colete de defesas para a grande peste negra que um abraço ou um beijo lhes representa. Chego a sentir que lhes é um esforço tremendo, suportar a minha proximidade. Sentir o calor do meu corpo, já tão sozinho. Talvez seja o vírus. Um dia, de curso acabado, apresento-lhes a receita do tamiflu.

Papoila

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

I know

Vais precisar de muito mimo quando leres este post, que eu sei. (Também sei algumas coisas, não és só tu!).Vais precisar de um espaço para ti, para nós, onde nos escondermos e não falarmos com palavras comuns. Não precisas de dizer nada, tens o meu ombro. Tens a minha mão nos teus cabelos e os lábios bem perto, a tentar matar saudades do teu cheiro. Podes esconder-te em mim e dir-te-ei o que precisas. Afago-te e aninho-te. Aqui podes descançar, meu bem, que nada te fará mal. Ninguém nos perturbará. Teremos visitas quando bem entenderes daqueles que nos acompanharam sempre e sorriem com sinceridade. Mas, por agora, estamos sós, como precisamos.





Orquídea

Culturas

O preconceito existe e é importante falar das coisas. Não me refiro apenas ao *nosso* tema, mas em relação a tudo. As culturas diferem e a diferença gera medo. Preconceito.
Disseram-me que não deviamos falar do que não sabemos. É verdade. É daí que surgem tantos conflitos, tantos problemas.
É o que tenho feito. Conversado. Perguntado muita coisa. Coisas difíceis, mas necessárias. Para quebrar o preconceito, porque, no fundo, somos todos iguais. Humanos à procura de algo que nos preencha e ilumine.
E dá-me vontade de ouvir este senhor.

Orquídea

Our Love Goes International

É sempre especial quando ultrapassamos aquele medo de sermos julgadas e condenadas pelo que não merecemos. Ao contarmos o nosso amor, o que nos preocupa em dias de solidão e distância, quando somos honestas e podemos finalmente dizer "I miss her", é algo único. É libertador. É sermos um pouco mais verdadeiras connosco e com os outros. É tirar um peso enorme de cima. E o sorriso de volta, a compreensão, as palavras certas, a brincadeira e a amizade, fortalecem-nos. Sorrimos e somos um pouco mais felizes do que temos sido nos ultimos tempos. Há alguém que compreende. Que respeita. Que, talvez, admira.
E tenho tanto orgulho em nós.
"She's very beautiful." "Yes, she is." e o coração aperta.

Orquídea

Antes de mais...

Não estou farta que me perguntes se já escrevi no blog. Ajuda-me até a concentrar-me nele, como quero. Vamos lá ver se sai bem hoje!

Orquídea

Férias

Se é que existiram, no verdadeiro sentido da palavra, estão agora terminadas. Já pus os óculos novamente. Caras leitoras: hoje regresso ao trabalho (tanta falta que fazia um grupo chamado 'hoje-regresso-ao-trabalho anónimos'). Esperam-me 4 dossiers bonitinhos, com folhas a saltar das argolas, com nomes requintados e à espera de memorização. All along with it's meanings. Aqui vou eu.

Papoila

Lábios de Bailarina

'Um dia hei-de dançar ballet para ti.' Oiço e espero pelo dia. Nas noites em que mo dizes, fecho os olhos e sonho. Estás no centro do palco, eu fico sentada à ponta, encostada ao cenário. Ouve-se piano e o teatro está vazio. Em todas as cadeiras está o meu olhar, a admirar as tuas formas e os movimentos romanceados do teu corpo. Tens uma pose suave e balanceias-te delicadamente, enquanto tudo me impele para ti. Mas lá fico ao canto, imóvel, a namorar-te em silêncio. O piano sobressalta-se, o teu corpo move-se com impulsos mais fortes e decisivos e o meu peito entra em desassossego. Há um aperto, uma garganta sufocada. Conseguiste ler isso no meu olhar? Aproximas-te. Já sorris e, em passos majestosos, aproximas-te e beijas-me. Beijas-me como nos filmes, em que acabam estendidos no chão frio. Há muito carinho no teu beijo. Suave. Sabor a pêssego maduro.

Papoila

Sei

Sei distinguir na perfeição a intensidade dos teus sorrisos. Sei quando são puros e sei quando não o são tanto. Sei quando escondem tristeza. Sei quando te doem. Sei quanto são sorrisos de alegria, sei quando são sorrisos de anedota muito boa, sei quando são sorrisos de simpatia e sei quando são sorrisos de alívio.

Sei quando não estas à vontade (mesmo quando te esforças muito por esconde-lo). Sei quando não gostas de uma ideia, mesmo quando não queres ser parte da decisão. Sei quando estás preocupada, sei quando tens medo, sei quando estás ligeiramente triste. E sei quando estás muito triste, mas isso é mais fácil em ti.

Sei todos os teus hábitos. Sei que entalas a camisa por baixo da camisola (e sei que espirras se não o fizeres). Sei que dormes sem almofada, talvez para não a babares (a minha está toda marcada da tua saliva). Sei que tens mais frio que eu no Inverno (mas sei que o teu corpo é bem mais quente que o meu). Sei que gostas de tortas de azeitão, mousse e bolo de bolacha. Sei que adoras tostas mistas e torradas do bar dos alunos. Sei que te delicias por um néctar de pêssego. Sei que ficas mal disposta se beberes leite com chocolate de manhã. Sei que adoras bifinhos com natas e cogumelos. Sei como adoras massa. Sei que não te deitas sem regar o Orlando e sem ver um pouco da novela com a tua mãe (sempre que podes).

Sei quem são as pessoas mais importante na tua vida. Conheço-as todas. Sei lhes o nome e a cara, sei quando as conheceste, sei onde vivem e o que fazem. Sei histórias, em específico, sobre cada uma delas (porque mas contaste e porque sempre te ouvi com atenção). Sei as suas qualidades e sei alguns dos seus defeitos.

Sei que consegues falar durante horas e sei que te consigo ouvir durante as mesmas. E sei que o contrário também é possível, apesar de menos frequente. E por isso sei que, quando velhotas, nunca vamos estar sozinhas. Nunca vai haver o silêncio dos mortos enquanto vivos. E sei que, como nos conhecemos muito bem, sempre saberemos como nos acompanhar e mimar.

Sei os sapatos que te roem os dedos e sei os que não. Sei que roupa mais gostas e que roupa menos gostas. E sei que nunca irias às compras sozinha. Sei que nunca usarás sapato muito alto.

Sei de cor os movimentos do teu corpo quando danças. Sei onde se dobram mais as tuas costas. Sei a largura da tua cintura e sei como os meus braços se enrolam sobre ela. Sei a força dos teus braços. Sei particularidades dos teus beijos quando estás triste e quando estás contente. Sei como beijas quando tens pressa. Sei como reages quando estás sob pressão. Sei como fica o teu cabelo depois de molhado e conheço-lhe todas as formas quando seco. Sei que calças te ficarão bem, mesmo sem as vestires, porque conheço as tuas pernas esguias. Sei perfeitamente a cor da tua pele. Sei de cor o tamanho das tuas cicatrizes. Sei a disposição dos teus sinais.

Sei que bandas mais gostas e sei com que estado de humor as costumas ouvir. Sei a que concertos já foste e ia jurar que conseguia adivinhar os anos em que foste. Sei os países que já visitaste. Sei o país que mais gostas e sei dar imensas razões porque escolheste esse e não outro.

Sei quando tens sono. Sei quando te sentes desesperada. Sei quando não estás com força. Sei quando tiveste sonhos bonitos e sei quando os tiveste tristes. Sei quando te doem as costas. Sei quando estás entusiasmada e ansiosa. Sei quando não te apetece. Sei quando não gostas muito de alguém. E, no geral, sei entender o porquê.

Sei muitos dos livros que já leste. Sei de quais gostaste e dos que não gostaste assim tanto. Sei quais os que foram marcantes na tua vida. Sei os livros que tens na lista para comprar.

Sei que não tencionas comer pastilhas elásticas, mesmo que te peçam muito. Sei a idade com que provaste o teu primeiro café, e sei onde e porquê.

Sei quem foram os teus amores juvenis. Sei o quanto cada um te marcou e sei o porquê. Sei que idade tinhas. Sei o que sentiste. Conheço as tuas histórias e os teus medos, na altura.

Sei quais foram os anos mais complicados da tua vida. Sei porque o foram e sei quem foram os protagonistas. Sei quando foram e conheço-lhes as descrições, quase na perfeição.

Sei os teus sonhos.

Sei. E quanto mais sei, mais amo.

Papoila