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domingo, 28 de junho de 2015

Celebrações e amarguras (e alegrias outra vez)

(Será um post longo... Talvez para compensar a ausência e despejar o que tem sido acumulado)

Tenho saudades de conversar convosco e hoje preciso.
Tanta celebração pelas redes sociais. Foi a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo pelo Supremo Tribunal dos EUA e, não esquecer, a aprovação no nosso parlamento do Dia Nacional Contra a Homofobia e Transfobia, a 17 de maio.
Demorei a ceder à onda arco-íris das imagens de perfil do Facebook, gosto pouco destas modas em redes sociais, mas lá me juntei. Isto porque fiquei muito contente, comovida até, ao ver amigos heterossexuais celebrarem com igual alegria este passo importante nos EUA. E isso deixa-me tão feliz. Não termos medo de celebrar os direitos dos outros, demonstrando o quanto isso não nos perturba e, antes pelo contrário, nos alegra e orgulha.
Porém, estremeci ainda há pouco. Um like de uma colega minha de trabalho a um comentário homofóbico que sublinhava que nem o Supremo Tribunal é capaz de mudar a verdade de que um homem é feito para uma mulher e vice-versa. As palavras ferem. São perigosas e, atrevo-me a dizer, podem matar. E é angustiante ver a naturalidade com que se acompanham de um sorriso casto que justifica a ideologia em nome do Amor, da Família, da Verdade. Apresentam-se como Homens de bom coração, que cuidam dos pobres e mal-afortunados, que amam o outro acima de tudo. E afinal...
Não me surpreendeu esta identificação da minha colega com aquelas palavras. Já antes a vira defender a proibição da adoção a casais do mesmo sexo na mesma rede social. Sabendo que haverá sempre pessoas para as duas frentes, esta preocupa-me particularmente por trabalhar na minha área, a Saúde Mental. Receio as suas crenças pessoais se sobreponham aos factos médicos, científicos, reais, e que, caso isto aconteça, prejudique o desenvolvimento positivo de alguém da sua consulta. E, por outro lado, se alguém com o seu cargo defende estas ideias publicamente, quem as ouve é capaz de julgar que, por trabalhar nesta área, há de ter alguma base médica para o defender. Receio...
Mas depois recordo o caminho que já percorri e as pessoas com quem já me cruzei. Outros colegas. Lembro-me dos dias que passei recentemente com os meus colegas e onde falámos natural e abertamente da minha relação com a Papoila, com o carinho e compreensão de todos (que, aliás, fartaram-se de a elogiar). Lembro-me de como tenho contado a todos eles da forma mais natural possível (estou a ficar perita no método tcharam, é do melhor!) e como não há uma pinga de reação estranha ou desconfortável e a incluem nas conversas como a qualquer companheiro de vida de outra colega. Até já a minha orientadora conheceu a Papoila. E está tudo bem.
E lembro-me então da pessoa que mais me ajudou a acreditar que tudo é possível e que, sim, #LoveWins. Acho que vou contar no post seguinte, porque merece... 

Orquídea

domingo, 10 de outubro de 2010

Things we regret, things we celebrate.

Things We Regret - I
Liu Xiaobo, Prémio Nobel da Paz 2010 e activista pelos fim do regime de partido único, liberdade de expressão e independência do poder judicial, continua preso no seu próprio país. Ainda lhe esperam 9 anos de pena por ter, apenas, lançado na internet um baixo-assinado que reclamava por reformas políticas democráticas na China. Este é o país para onde exportam as nossas empresas e que mais investimentos sugam. Aqui.

Things We Regret - II

É esta a Sérvia que está a tentar entrar para a União Europeia. A mesma cujos cidadãos dão 'saudações nazis' aos homossexuais do seu país, lhes 'desejam a morte' e lhes gritam que 'a caça começou'. Aqui.

Things We Celebrate

Champalimaud Center for The Unknown

Um espaço lindíssimo, num local privilegiado, de que me orgulho muito pois foi construído em Lisboa. Finalmente um lugar com estudos direccionados para a oncologia. Um lugar para receber cientistas portugueses. E um lugar para dar visibilidade à nossa ciência... que somos poucos mas somos bons! Aqui.
Papoila

domingo, 16 de maio de 2010

Para Amanhã


Se tudo correr como gostaríamos, combina-se uma jantarada para celebrar? E, se não correr, combina-se também para afogar a mágoa?

Quem cozinha?

Orquídea

sábado, 6 de março de 2010

They've reached my limit!

Um dia, estava eu com a Orquídea fazendo zapping pelas estações de rádio, quando damos com a Antena 3. Estavam a entrevistar um rapaz que, se não tinha a nossa idade, estava lá perto, e que teve o azar de ser homossexual. Não conseguimos perceber bem qual era o objectivo da entrevista, mas leiam isto:

Locutor: Então, diz-me uma coisa, nós homens temos muita vontade de sexo... e temos o problema de as mulheres não serem exactamente como nós neste aspecto. Tu e o teu namorado, como são os dois homens, devem ter muito mais sexo, não é? Há muita mais testosterona, é sempre a andar! É em qualquer lado não é? Quantas vezes?

(A isto, seguiram-se e antecederam umas quantas perguntas do mesmo foro, as quais preferi não memorizar, de tão aterradoras que eram.)

Ontem, a caminho de casa e mais uma vez com a Antena 3 no ar, oiço isto:

Locutor 1 (com voz de deficiente mental propositada): A Ilga andou a espalhar uns cartazes que dizem 'E se a tua mãe fosse lésbica, faria alguma diferença?'.
Locutor 2 (também com voz de deficiente mental): Faria! Então, a minha mãe já tem diabetes, colesterol alto, hipertensão, dores nas cruzes, se fosse lésbica ainda tinha que lhe comprar mais medicamentos! É claro que faria diferença!

(Disseram mais e piores mas, mais uma vez, não as memorizei...)

Posto isto, declarei guerra à estação. Eu quero lá saber que eles ofereçam bilhetes a uma das minha melhores amigas para ela ir ver Placebo ou que até passem boa música. Para mim não passam de um nichozinho de homofóbicos que tentam impregnar a mensagem ao resto do mundo.

E se isto foi demasiado ofensivo ou se são grande amantes da Antena 3, as minhas desculpas. Achei que deviam saber isto.

Papoila

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

One night I made a wish...

Nesta passagem de ano, um dos desejos das minhas 12 passas foi precisamente o grande passo que hoje se deu na Assembleia da República. Não que acredite nesse ritual de passagem de ano, mas acredito naquilo que a partir de hoje teremos a liberdade de fazer. Da alegria que isso trará a muitos de nós, mais que não seja pelo reconhecimento de direitos tão básicos quanto o da igualdade.

Trabalhei muitas horas hoje. Doze horas seguidas, para ser mais precisa, num lugar que não é nada acolhedor. Mas durante todo o dia houve uma sensação de conforto e expectativa, que sem dúvida me motivaram. Já para não falar do sorriso estúpido que mantive após ter a confirmação de que a lei tinha sido, finalmente, aprovada.

Um brinde com todas, minhas amigas =)

Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a humanidade.

'Lazy dreamers on a Winter's night
making plans of the Spring
Paint a picture while I put away my clothes

Crooked couple standing side by side
Is that you? Is that me?
Life in circles, and we dream up someplace to go

We'll sleep on rooftops
We'll ride on bicycles
Baby, we'll get married
Don't you want to, Sweetie? '

Josh Rouse (get to know him here!)

Papoila

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009