quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O Armário no Trabalho

“The notion of leaving a big part of your self at home and walking into work is like walking around with two types of shoes on”
lido aqui 


No outro dia, uma colega de trabalho perguntou-me se eu tinha namorado. "Namorada", corrigi. Sorriu-me e fez-me várias perguntas. Os teus pais sabem? Achas que agora é uma moda? Alguma vez sentiste atração pelo sexo oposto? Já contaste a alguém do serviço? E por aí fora. Apesar de algumas perguntas e comentários ("se calhar existe mesmo a bissexualidade") aparentemente disparatados, foi uma conversa boa e importante. Tanto da minha parte, por ter percebido o que posso esperar do serviço onde estou e das pessoas que nele se incluem, como para ela, que quis saber e compreender melhor. Fui bem aceite.
Aos poucos, vou revelando a alguns internos com quem me dou mais, de forma espontânea e (aparentemente) despreocupada. Gosto muito de onde trabalho e das pessoas, não quero refugiar-me num segredo e perder a oportunidade de me ligar por receio de sair do armário. Não tenho intenções de andar de bandeirinha na mão, mas quando tiver que contar, conto. Já está decidido que não minto mais, hei-de omitir quando for adequado e revelar quando oportuno.
Sinto-me em boas mãos. Tenho uma orientadora que, em resposta a uma pergunta falsamente ingénua da minha parte, respondeu, "a homossexualidade não é uma doença!", com alguma preocupação no rosto por suspeitar que eu não tivesse já isso como dado adquirido. Um dia terei de lhe dizer que vou de licença de casamento e saberá que há duas noivas.
Próximo teste: o nosso aniversário calha precisamente no dia do encontro nacional de internos, algures no norte do país. Os meus colegas estarão lá todos, assim como a Papoila, que levo comigo para celebrarmos o dia. Veremos como corre.

Orquídea

PS: Enquanto procurava uma imagem decente para este post, encontrei um artigo muito interessante, ora vejam .

3 comentários:

Margarida disse...

Parabéns e Felicidades!

Márcia V. disse...

Como não temos "sou lesbica" escrita na testa o melhor é indo dizendo aos poucos.

amigos das onze horas disse...

a sexualidade não define ninguém, é uma opção