Decidi que não passava deste fim-de-semana. Apesar da angústia que o tema me trazia, não podia continuar sem esclarecer as coisas com o meu pai. Então esperei pela altura que ele vem ao meu quarto convencer-me a sair do computador.
Veio, viu a minha cara de quem tem mais para dizer e chamei-o para conversar. "Mau..." Expliquei-lhe que era importante haver honestidade entre nós e que existiam coisas que deviam ser esclarecidas, das que só falamos por bocas sem nunca falarmos a sério do assunto. E disse-lhe, "acho que já percebeste que eu e a Papoila não somos só amigas".
"Sim. E então?"
E então dá-me para sorrir, que não esperava uma reação assim. Fico um pouco atrapalhada, explico-lhe que andava angustiada por não lhe conseguir contar, ele disse que não percebia porquê. Disse-lhe que tinha medo que deixasse de ter orgulho em mim. "Nisso não, mas tenho orgulho noutras coisas". Disse-me que não considerava "exemplar", respondi-lhe que não tinha de o ser, mas que não era condenável. Perguntou-me qual de nós era mais "fervorosa" no assunto. Retorqui se também quando ele tinha casado com a minha mãe se havia alguém mais fervoroso. Ele disse que sim, que era ele e riu-se. Daqueles risos de quem foi apanhado numa incoerência.
Falámos dois minutos e mudou-se de assunto. Continua tudo igual. Exatamente igual. Tão simples.
Espero.
Orquídea











