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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Caro blog,

Também já tenho saudades. Não te preocupes, está tudo bem. O que acontece é que o tempo tem sido preenchido com outras coisas. Escrevo-te esta carta para te explicar a nossa ausência.

Eu cá já iniciei o estágio em Cirurgia e, sabes, estou a gostar mais do que esperava. Continuo a não gostar, mas, pelo primeira vez, estou a ter um estágio decente, em que se trabalha e se aprende. Até já dei uns pontos na cabeça de alguém! Correu muito bem, ficaram bonitinhos. Só que tem sido um estágio cansativo e exigente, não me sai da cabeça e, coitadinha da Papoila, já está farta de me ouvir... Mas enfim, a boa notícia é que já só faltam 4 semanas!

E comecei também o ginásio! E eu que nem me imaginava em cima de uma passadeira (ou elíptica, que aquilo dá cabo de uma pessoa) e lá vou eu, com a minha Papoila, suar como não suava há muito tempo. E sabe bem! Andamos muito empenhadas nisto, a cumprir os horários e a subir objectivos. Tem de ser, dá saúde física e mental.

A Papoila está bem, sim. Tem andado concentrada também no estudo e esteve agora de férias, lucky her. No outro dia fomos passear, tirámos um dia de férias em conjunto, pegámos no carro e fomos visitar umas praias para os lados de Peniche, almoçámos em Óbidos e soube mesmo bem, foi bom para esquecer o resto, aproveitarmos o bom tempo (sim, foi ainda com bom tempo) e sentirmo-nos de férias.

Ah, sim, o H. Vai andando, step by step. Ando mais focada. Menos net, mais estudo, mais vida fora deste ecrã. Sei que te deixo preocupado quando fico tanto tempo sem cá aparecer, mas é por uma boa causa. Do meu coração não sais. Carregas muita gente importante.

Um abraço e até breve!

Orquídea

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Retalhos de um dia

Acordo e tu estás a meu lado. Daí até nos vermos as duas sentadas à mesa, é uma correria. Mas entretanto o pão já está torrar, o leite frio adormece na caneca de Paris e as conversas divagam sobre o que há a fazer durante o dia. Depois segues para o novo estágio e eu, a muito custo, pego nos livros que pesam mais na consciência que na mala, e sigo para o café do jardim. O café do jardim não sabe ao mesmo sem as tuas pernas cruzadas nas minhas, debaixo da mesa, mas lá aqueço o peito com um galão. Na relva as pessoas exercitam, ou passeiam os pobres animais de estimação, e eu invejo-as por entre as linhas que me falam de glaucoma e as que me falam de retinopatia. Até que me ligas e me dizes que afinal o estágio é só à tarde, e mentalmente revemos as eternas críticas à faculdade, que tem tanto de organização quanto tem de nova. Almoçamos bife de atum, com sal a menos, e as tuas náuseas persistem. Faço-te uma massagem da ponta dos cabelos à ponta dos pés, abano tudo ao jeito do professor sótanga, faltando apenas os cantares crioulos para afugentar os maus espíritos. Quando dou por mim já estás no carro novamente, sozinha, deixando-me para trás. Vou ao ginásio. Enquanto o meu corpo aquece e nas maçãs do rosto se acentua um vermelho rosé, lá fora chega o pôr-do-sol, e os meus olhos arrepiam-se de frio. O dia está a chegar ao fim.

Papoila