segunda-feira, 16 de março de 2009

Work and love.

O trabalho consumiu-me as horas, meu amor. Estive ocupada mas pensei em nós. Contei-te que dançaste, só para mim, no pequeno consultório? Estavas ao pé da janela, por onde o sol tenta a sua sorte, mesmo junto do otoscópio (pendurado na parede a jeito de moldura). Sorrias-me de longe e, num sibilado tímido, ias trauteando a música (aquela que sabes que me inebria). O teu corpo pedia toque e carinho e eu ali, presa à minha segunda paixão. Auscultei aquele peito velho, a medo de errar, enquanto me sorrias de longe. Discuti a taquicardia da mulher já feita e tu, sem vergonha, convidavas-me a beijos ousados entre a dança voluptuosa do teu corpo. És a minha tentação. A minha paz. O meu amor.

E ninguém sabe disso. Nem as pessoas no consultório.
Ninguém nos vê, meu amor.

Papoila