segunda-feira, 26 de abril de 2010

Olhar

Posso tentar ser discreta. Cada vez tento menos. Guardo as mãos uma na outra e os lábios escondem-se num sorriso mais tímido. Quando não consigo resguardar-me mais, finjo um ajeitar do teu cabelo atrás da orelha. Por vezes, aproveito o ruído do metro para te dizer algo ao ouvido porque, faço por acreditar, não me ouvirias de outra forma. Agarro-me ao teu braço quando há uma ligeira probabilidade de escorregar e dou-te um abraço curtinho quando me rio de algo contigo.
Há alturas que não tenho essas oportunidades de proximidade encenada. Mas não deixo de te olhar. Não magoa ninguém, suponho, observar-te. Conheço tão bem a tua imagem. Quando não há mais nada, olho-te. Até que, no outro dia, lembraste-me. "O olhar diz tudo." E, por instantes, saio de mim e vejo-me a fitar-te, compreendo e sinto que há algo mais do que uns olhos noutros. Tens razão.
Paciência. O amor não morde. O olhar não fere. E, quem sabe, talvez a felicidade possa ser contagiosa.

Orquídea

5 comentários:

Dantins disse...

Adorei o texto!!!

Rita disse...

Estou contagiada.
Quem não ficaria?
=)

A Miúda dos Abraços
http://lapislavra.wordpress.com

cegonhagarajau disse...

Acabámos de ler juntas, esboçámos um sorriso e demos um beijo.
Identificámo-nos totalmente!
Abraço

Inês disse...

A felicidade é contagiosa :)

B' disse...

Fico sempre com vontade de comentar este blog em posts deste género, e como um aqui mais acima, por exemplo.

Mas nunca consigo. Começo a pensar em mil e uma coisas para dizer, não devia ser preciso ter de esconder quem amamos; não devia ser preciso fingir gestos; não devia ser preciso esconder o amor!

Fiz um post, não que seja alguma coisa de jeito pois não me consigo expressar correctamente nestes assuntos, mas gostava que lesse. Que lessem, e que dessem a vossa opinião. Que qualquer coisa, que este mundo mudasse. (Bolas, e agora pareço uma miudinha revoltada com o mundo.)