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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Desafio: Incentivo à Leitura


Fomos desafiadas pela Anita a participarmos nesta pequena campanha de incentivo à leitura e, apesar da demora, aqui fica o nosso contributo.

Qual o livro que indicaria para alguém começar a ler?

A nossa resposta imediata seria, para que idade? Incentivar uma criança, um adolescente ou um jovem adulto a ler são tarefas muito diferentes. Tendo isto em conta, e procurando reduzir a resposta para apenas um livro, a recomendação vai para o Contos do Nascer da Terra, do Mia Couto. Para começar a ler, os contos são a melhor estratégia: histórias relativamente pequenas que nos permitem conhecer um pouco do autor sem cansar uma pessoa e, para quem não tem o hábito de leitura, o tamanho dos contos é sempre uma vantagem. Por outro lado, Mia Couto é um narrador fantástico, com uma escrita muito colorida e, vá, sorridente, pelo que acredito que encante várias idades. 

Visto que a segunda parte do desafio consiste em passá-lo a outros 3 blogs, aqui ficam as nossas escolhas:


Orquídea

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Cartas a um Jovem Poeta - Raine Maria Rilke

Nada como ler este livro no final de um ano e início de outro, em plena mudança de vida. Os conselhos que Rilke dá ao jovem poeta que lhe escreve são universais para quem tem aspirações a algum mérito literário.
Visto que tenho um gosto especial pela escrita (para além da leitura), aceito-os de bom grado e sem muita surpresa. A honestidade, acima de tudo. Escrever porque tem mesmo de ser e não porque se quer. Escrever por não saber viver de outra forma. Uma necessidade fisiológica.
O sofrimento e a solidão são abordados como companheiros fieis da produção literária/poética. Em dez cartas, umas mais prolongadas que outras, Rilke divaga sobre o que faz um bom escritor, um verdadeiro escritor, que sente, que vive e que cresce com tudo o que experiencia. Mais do que a arte da escrita, Rilke discorre sobre a arte da vida. Cartas para serem apreciadas, num tempo em que os Correios já não trazem tantas preciosidades destas como antigamente.

Orquídea

sábado, 22 de dezembro de 2012

Juventude - Joseph Conrad

Regressei às edições Quasi, espectro laranja.
Este livrinho contém dois contos. O primeiro, que dá o nome ao livro, fala-nos das aventuras de um jovem marinheiro na sua primeira grande viagem para Oriente, narradas pelo próprio aos seus amigos entre copos muitos anos depois. No segundo, é a vez de um senhor contar à sua acompanhante, que lhe pede uma história, uma aventura também ela passada no mar sobre a tripulação de um navio e os dilemas que lhe surgiram num encontro com uma embarcação duvidosa.
Tal como no conto de Poe (Uma Descida ao Maelström, de que falei aqui), as descrições entusiasmantes de Conrad da vida no mar e do mar transportam-nos para esse ambiente com facilidade, sentimos a revolta das ondas, o medo e a força dos marinheiros, as alegrias pelas pequenas vitórias e o desespero sobre o poder indomável dos oceanos.
Talvez seja por ser portuguesa e por estarmos tão ligados ao mar que estes contos me conseguem prender. Ou talvez seja apenas pela incrível capacidade descritiva e narrativa do autor que prende quem o lê. Ou um pouco das duas. O que é certo é que não esperava gostar assim deste tipo de escrita. É sempre bom ser surpreendida.

Orquídea

domingo, 18 de novembro de 2012

Amor de Perdição - Camilo Castelo Branco


Nem se propósito... Sem ter a noção de que a edição de Amor de Perdição celebra 150 anos, decidi finalmente iniciar-me na escrita deste romancista português com essa mesma obra.

Tinha a ideia que seria um romance bem dramático e trágico e as minhas expectativas não foram defraudadas. Um amor de muita perdição, com muito sangue, suor e lágrimas. Um casal jovem apaixonado, os pais que não aceitam o seu amor, um primo que se mete no meio, uma mulher que até queria meter-se no meio mas que prefere dar muito por muito pouco, enfim, a trama perfeita para um  romance entusiasmante tal é o dramatismo da história e da escrita.
Diz-se que foi inspirado quer na peça Romeu e Julieta quer na sua própria vida pessoal. Sim, porque o malandro do Camilo raptou uma mulher casada por quem se tinha apaixonado! Eu que não conhecia muito deste autor para além das imagens do seu belo bigode fiquei muito impressionada com a sua história, igualmente dramática.
Ficou colmatada uma grande falha nas minhas leituras de clássicos portugueses e compreendo porque faz parte dessa lista de obrigatórios. O Romantismo clássico talvez já não se use, mas é certamente capaz de nos entusiasmar na leitura, mesmo que a loucura dos dezoito anos não seja tão profunda, extrema ou fiel como a que é aqui retratada. Simão e Teresa (com Mariana a ficar com um cantinho especial no meu coração) merecem ser os representantes portugueses do amor até às últimas consequências. Que sejam a tradução de Romeu e Julieta para a língua lusitana.

Orquídea

domingo, 4 de novembro de 2012

Vim Porque Me Pagavam


Vim porque me pagavam,
e eu queria comprar o futuro a prestações.
Vim porque me falaram de apanhar cerejas
ou de armas de destruição em massa.
Mas só encontrei cucos e mexericos de feira,
metralhadoras de plástico, coelhinhos da Páscoa e pulseiras
de lata.
A bordo, alguém falou de justiça
(não, não era o Marx).
A bordo, falavam também de liberdade.
Quantos mais morríamos,
mais liberdade tínhamos para matar.
Matava porque estavas perto,
porque os outros ficaram na esquina do supermercado
a falar, a debater o assunto.
Com estas mãos levantei a poeira
com que agora cubro os nossos corpos.
Com estas pernas subi dez andares
para assim te poder olhar de frente.
Alguém se atreve ainda a falar de posteridade?
Eu só penso em como regressar a casa;
e que bonito me fica a esperança
enquanto apresento em directo
a autópsia da minha glória.
Golgona Anghel

Orquídea

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Destino - Maria Teresa Horta

Já há algum tempo que li este livro de poesia de Maria Teresa Horta. Descobri a sua escrita este ano e tem-me cativado e gerado curiosidade desde então.
Gosto desta poesia, assim direta e bem cuidada, sem artifícios ou purpurinas. E não é qualquer um que tem as palavras assim na ponta da escrita. Especialmente, no que toca a malandrices. E o quão difícil é agradar-me pela escrita nestas questões lascivas:

AMÊNDOA AMARGA

Esse travo inteiro
a amêndoa
amarga

A ameixa
a doce a ferver no tacho

Esse travo na língua
a fermentar no corpo

A febre a nascer
a crescer debaixo

Em baixo...
a saia a subir nas coxas
e esse cheiro mais grosso, se entreabro

As pernas os lábios
e o gosto
onde o sabor da amêndoa se torna mais
amargo

É esse o momento
o instante exacto
em que tudo se prende
ao gesto sem sentido

A calda no ponto
deixa a língua em brasa

E eu tiro pela cabeça
o meu vestido

Maria Teresa Horta - Destino

Orquídea

sábado, 21 de julho de 2012

Histórias Eróticas - Giovanni Boccaccio

Sim, ainda tive tempo para ler outro livro na mesma semana!
Que livro delicioso de se ler. Boccaccio, autor italiano do século XIV, reuniu várias novelas contadas por jovens refugiados no campo devido à Peste Negra e, entre elas encontram-se as Histórias Eróticas.
Estas histórias relatam as malandrices de padres, freiras, maridos, esposas e amantes, de uma forma, como direi, elegantemente marota.
Diverti-me bastante com estas histórias pelo seu contexto histórico e social, é sempre curioso ver a forma bem mais magnetizante de escrever sobre erotismo da altura comparativamente com a escrita óbvia, direta e simplificada que se encontra por vezes hoje em dia.
Uma delícia.

Orquídea

O Sonho dum Homem Ridículo - Fiódor Dostoiévski

E como tenho duas viagens diárias, dá para ler vários destes livros em poucos dias! Depois da Irlanda, regresso à Rússia com Dostoiévski.
O homem ridículo quer morrer. Indiferente a tudo, o suicídio parece-lhe um bom final, mas aqui conta-nos como o dia em que se comprometeu a pôr fim à vida se alterou por um pequeno evento e um longo sonho. Uma viagem surrealista e fantástica aos confins da imaginação do sonho, que traz mudança e reconciliação. Uma narrativa descritiva curiosa e satisfatória, mas que não me vai ficar muito tempo na memória...
Para além deste conto, o livro inclui ainda O Ladrão Honesto, sobre a vida de um homem que, apesar de ladrão, era honesto aos olhos de quem o acolheu e que agora conta a sua história nesta narrativa. Confesso que, neste caso, a mensagem me passou um pouco ao lado, não compreendi bem a singularidade da personagem ou o contexto em que a história é contada...
Concluindo: leu-se, venha o próximo!

Orquídea

O Crime de Lorde Arthur Savile - Oscar Wilde

Viva a hora de comboio até ao trabalho! Dá para ler um livrinho destes de enfiada.
Ora bem, mais um belo exemplar da escrita de Oscar Wilde. No primeiro conto, um quiromante prevê um homicídio no futuro de Lorde Arthur Savile, pelo que este não se sente descansado enquanto não resolver este assunto antes de se casar, pois não quer esse vaticínio a pairar sobre a sua felicidade futura. Sempre com um humor requintado, Wilde conta as peripécias deste Lorde para se desfazer da premonição. Um conto animado e rápido de ler.
O livro termina com outro (ainda mais) pequeno conto, A Esfinge Sem Segredos, uma conversa entre dois amigos, em que um conta a sua história de amor e como aquela mulher da fotografia o intrigava. Lesse tão depressa que não dá para desagradar a ninguém.
Oscar Wilde sabe sempre bem.

Orquídea

The Bastard of Istanbul - Elif Shafak

Seguindo os meus conselheiros literários internacionais, lancei-me neste romance turco. Mais uma vez, o tema do confronto entre religiões e culturas surge, num enredo muito bem trabalhado e complexo.
Asya, uma rapariga de 19 anos de Istambul, vive numa família de mulheres, em que as singularidades de cada uma das suas tias e a incógnita que paira sobre a identidade do seu pai se combinam com a vida peculiar da sua cidade e moldam a sua personalidade irreverente e inquieta.
Armanoush, do outro lado do oceano, é uma jovem americana da mesma idade que tenta compreender a sua identidade arménia ao mergulhar no passado da sua família, uma das muitas vítimas do negro e controverso confronto entre a Turquia e a Arménia no início do século XX.
Estas duas famílias, ligadas entre si no passado e no presente, são a base para um romance que se propõe a tocar em muitos dos pontos frágeis desta relação entre os dois países e culturas. Apesar do elevado número de personagens ser, por vezes, difícil de digerir, e as descrições extensas e esporadicamente desnecessárias, este livro é uma boa aposta para quem quiser conhecer um pouco mais deste passado obscuro dos dois países, da sua repercussão na vida de hoje em dia ou apenas para ter uma ideia da atual cidade de Istambul, das suas pessoas e vivacidade.
Andava desejosa de ler um livro turco e, talvez por isso, me entusiasmei tanto com este romance. Recomendo vivamente a quem gosta de enredos bem estruturados e surpreendentes. 

Orquídea


PS: Ah, sim, este livro também tem personagens homossexuais, um gay e uma lésbica para ser mais concreta. São personagens muito secundárias que não considerei muito bem representadas. Pelo menos a lésbica, que das poucas vezes que intervém é para dizer mal dos homens. Pareceu-me uma visão muito limitada...

domingo, 3 de junho de 2012

O Delfim - José Cardoso Pires

Já há algum tempo que queria ler um romance deste autor português. Já tinha lido De Profundis, Valsa Lenta, por indicação de um professor de faculdade (pois fala da experiência pessoal do autor quando sofreu um AVC), mas na altura não me seduziu por aí além. Quis experimentar um romance e decidi-me por este, que me piscou o olho na feira do livro.
Através dos olhos de um visitante, uma aldeia portuguesa é-nos apresentada, não só o seu espaço como as suas personagens e a sua história. O enredo gira à volta da vida do Engenheiro. Duas mortes, um lago, caçadores, um Velho-de-Um-Só-Dente e tudo o que uma aldeia tem direito.
Tal como noutros romances que descrevem uma aldeia portuguesa, mais uma vez sinto que estes pequenos lugares têm a sua própria vida, as suas regras, longe da realidade do resto do país. Há sempre um padre, um velho, um bêbado, um rico. Mais uma vez, este livro mostra-nos isso mesmo e transporta-nos para a realidade particular desta aldeia e dos seus habitantes.
Com uma escrita muito rica e deliciosa, José Cardoso Pires convenceu-me. E agora fica a dúvida... como será que conseguiram transformar este romance em filme?

Orquídea

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Queda da Casa de Usher - Edgar Allan Poe

Terminei, por fim, os livros azuis da coleção da Quasi. E o Poe não desiludiu.
Este livro reúne três contos deste autor conhecido pela sua escrita fantasmagórica. Fiquei encantada com a sua escrita (tendo sempre em conta que se trata de uma tradução, mas que, mesmo assim, acredito retratar muito bem a qualidade literária das suas descrições).
Dos três contos, saliento o segundo, Uma Descida ao Maelström. Aqui, um pescador descreve a um viajante a sua história de sobrevivência ao redemoinho impressionante e fatal de Maelström, das águas norueguesas. A descrição visual deste redemoinho é incrível e a história do pescador nessas águas ameaçadoras é muito vívida e impressionante. Possivelmente o enjoo com que fiquei na semana passada foi por causa de tanta onda.

Orquídea

domingo, 15 de abril de 2012

A Paixão Segundo Constança H. - Maria Teresa Horta

Já tinha este livro em casa há algum tempo, na minha longa lista de livros por ler. Porém, nestes dias de redescoberta de poesia, de repente apercebi-me que a autora dos poemas que eu e a Papoila andávamos a ler e apreciar era a mesma desta prosa que me esperava. Decidi, portanto, atacá-la.
É um livro sobre a paixão, pois claro. Sobre a loucura, sobre o corpo e os corpos, sobre o limite da emoção. Fala-nos da paixão imensa de Constança por Henrique H. e das consequências da dimensão da mesma.
Há poemas e poesia na escrita de Maria Teresa Horta. Há uma envolvência permanente naquela doença da alma através da sua escrita singular e direta, em que tudo é descrito, até à intimidade. E, enfim, há uns bons pingos de Psiquiatria para me fazer um gosto especial e um envolvimento homossexual muito interessante e surpreendente.
Uma leitura rápida e bonita. Boa escolha.

Obrigada a quem mo ofereceu.

Orquídea

domingo, 25 de março de 2012

Poesia

Foi quase por coincidência que acabei nas comemorações do Dia Mundial da Poesia no CCB. E foi nessa mesma coincidência que assisti a uma aula sobre poesia contemporânea. Resultado: uma vontade enorme de voltar à poesia.
Assim, deixo-vos algumas sugestões que nos foram dadas de duas poetisas contemporâneas que deverão ficar marcadas na história da nossa poesia.


Margarida Vale de Gato


ÉMULOS


Foi como amor aquilo que fizemos
ou tacto tácito? – os dois carentes
e sem manhã sujeitos ao presente;
foi logro aceite quando nos fodemos
Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
o acto de abraçarmos? foi candura
o termos juntos sexo com ternura
num clima de aparato e de sigilo.


Se virmos bem ninguém foi iludido
de que era a coisa em si – só o placebo
com algum excesso que acelera a líbido.


E eu, palavrosa, injusta desconcebo
o zelo de que nada fosse dito
e quanto quis tocar em estado líquido.


Golgona Anghel


Não me interessa o que
dizem os dissidentes da ditadura.
Mas confesso que gostava dos chocolates Toblerone
que a minha tia me trazia no Natal.
Não acredito nos detidos políticos,
nem me impressionam os miúdos descalços
que mostram os dentes para as máquinas Minolta
dos turistas italianos.


Não vou pedir asilo.
Desconheço os avanços
ou retrocessos económicos do meu país.
Já falei de Drácula que chegue.
Já apanhei morangos na Andaluzia.
Já fui cigana, já fui puta.
Escusam de mo perguntar outra vez.
O que me preocupa – e isso, sim, pode ser relevante
para o fim da história – é saber
quando é que me transformei,
eu que era uma loba solitária,
neste caniche de apartamento que vos fala agora?


Orquídea

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uma Viagem à Índia - Gonçalo M. Tavares

As boas memórias relativas à escrita do Gonçalo M. Tavares e o incentivo por parte da s levaram-me a embrenhar-me neste livro no passado mês de fevereiro.
Alguns séculos depois da viagem à Índia por Vasco da Gama ter sido vangloriada e relatada pelos Lusíadas, eis que Gonçalo M. Tavares propõe nova viagem, novo herói e o mesmo destino. A escrita remete também para a obra de Camões, com o livro dividido em dez cantos escritos em estrofes, um pouco mais livres na sua estrutura. Até as temáticas dos acontecimentos de alguns capítulos se aproximam entre as duas obras.
São talvez estes pontos em comum que dão ainda mais valor ao livro de M. Tavares. Tal como o nome indica, trata-se de uma viagem, do percurso até à Índia e da procura e viagem interior que a personagem faz ao longo do percurso. Com paragens em Londres ou Paris, o relato não esquece as particularidades destas cidades e dos seus habitantes, especialmente os que se cruzam com o herói desta história.
Com uma escrita bonita e elevada, Gonçalo M. Tavares comprova a sua importância no panorama da literatura em Portugal assim como a sua versatilidade na construção dos seus trabalhos. Recomendo e deixo-vos um aperitivo.

Canto I 
70

"Bloom procurava o insólito que não
sendo acontecimento mudo ou ruído, sendo
sítio, obriga a caminhar. Se o que procuro
chegasse à minha cadeira,
para que serviriam os sapatos? Mas é já
um conhecimento clássico: acontecimentos novos
existem em espaços novos, e não em antigos.
Não deixes que a tua cadeira confortável prejudique 
a tua curiosidade."

Orquídea

quarta-feira, 14 de março de 2012

The Appointment - Herta Müller

Tenho andado esquecida de falar dos meus livros. As viagens diárias de comboio dão mais que tempo para pôr a leitura em dia (enquanto não chega o sono...). Decidi começar as leituras deste ano com o livro que a minha amiga romena me trouxe.
The Appointment é um livro de Herta Müller, prémio Nobel em 2009. Julgava eu que esta autora era alemã, do que me lembrava de ter ouvido na televisão. Mas a história dela é bem mais interessante do que o pouco que me ficou da comunicação social. Müller nasceu na Roménia, onde viveu durante o regime de Ceausescu. Foi devido à dureza desse mesmo regime que emigrou para a Alemanha, onde acabou por se naturalizar. 
The Appointment relata um dia na vida de uma mulher durante este período conturbado da Roménia. Este é o dia em que esta mulher tem um interrogatório na polícia, mais um, depois de ter escrito "casa comigo" nos bolsos de uns casacos que a empresa onde trabalha exportaria para Itália. Uma tentativa de fuga, uma provocação ou um ato de desespero. Durante o percurso, reflete sobre o que a levou até à sua situação, sobre a família, o amor, a amizade, a vida num país inibido pelo seu regime.
Este é um retrato de uma mulher inteligente e com as suas potencialidades castradas pelo país onde vive. A prepotência à sua volta impede-a de ser livre e verdadeira como gostaria e tudo isso é compreendido pela forma como nos fala e como descreve, com alguma impassividade e acomodação, a situação em que se encontra. Senti até a revolta silenciada. Lembrou-me a personagem principal do livro da Lídia Jorge, A Costa dos Múrmurios, pela forma como ambas as mulheres se encontram e são vistas em períodos de ditadura.
Para quem gostaria de conhecer um pouco mais deste período da Roménia e de perceber as semelhanças entre um regime comunista e o nosso regime de direita, este livro é uma boa aposta.


Orquídea

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Feira do Livro LGBT

Boas notícias, para variar! Este sábado começa a Feira do Livro LGBT no Centro LGBT (rua de São Lázaro, 88, Lisboa). Para além de livros, há autores, filmes, música e, adivinhem, tango! Vejam todo o programa aqui e aproveitem.

Orquídea

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Border State - Tõnu Õnnepalu

Lembrei-me agora que tenho um post em atraso. Terminei este livro há já algum tempo e fiquei de o comentar.
Este livro está incluído na lista de livros recomendados pelos amigos que fiz na minha estadia no estrangeiro no Verão de 2009. A minha amiga da Estónia sugeriu-me este "Border State", de Tõnu Õnnepalu. É um livro de 1993 que surge como uma carta onde o narrador escreve sobre alguns acontecimentos passados, que tenta explicar ou contextualizar, que envolvem amor, um homicídio e diferentes cidades europeias.
A meu ver, o livro vale muito pelas descrições desses diferentes pontos europeus. O autor vem de uma região distinta da Europa, da região fria, pobre e oprimida, apagada pela luz e energia das grandes capitais do Ocidente. O autor perde-se em Amesterdão e Paris enquanto recorda a sua infância com a sua avó na terra fria. São descrições bonitas de todos estes sítios.
A história em si não evolui muito, mas está elegantemente contada. E, caríssim@s, tem um romance homossexual. Não percebo, já não é o primeiro livro recomendado que tem uma personagem destas. E eu nem lhes falei da minha proximidade com a temática! Será que está nos meus olhos? Na minha maneira de falar? Ou é realmente a literatura europeia (e não só!) que está a abordar com mais naturalidade a questão? Fica a dúvida e a satisfação por mo terem sido recomendados!

Orquídea

terça-feira, 19 de julho de 2011

Livros Livros Livros

Desafio sugerido pela Marisa. Demorou mas cá está a minha parte!

1. Existe um livro que relerias várias vezes?
Que me lembre, nunca reli nenhum livro pelo simples motivo de sentir que tenho ainda imensos para ler. Por isso, julgo que não, mas quando ler tudo o que tenho de ler *cof cof* talvez mude de ideias.

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Sim, o "Sangue do Meu Sangue" do Chris Cunningham, mas que também não tentei assim tanto quanto isso, não apreciei muito as descrições bem detalhadas dos encontros intimos das personagens ao longo da história, não tenho paciência...

3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
Pode ser aquela compilação que tenho em casa de várias obras da Virginia Woolf? Ai, Virginia...

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
"Uma Breve História do Tempo", do Stephen Hawkings (entre muitos outros livros, claro).Comecei a lê-lo, percebi mais do que esperava, mas depois, nem sei bem porquê, não o terminei.

5.Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Boa pergunta porque, realmente, tenho alguma dificuldade em lembrar-me do fim dos livros... Lembro-me que o fim do "Mundo de Sofia" me marcou muito na altura, devorei o livro e aquele final ficou-me na memória.

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Lia muito sim. Comecei, claro, pelos livros de Uma Aventura e apaixonei-me pela colecção do Triângulo Jota (na minha opinião, muito mais giros que os d'Uma Aventura)! Li também a colecção das Irmãs no Colégio de Santa Clara e li muitos da Agatha Christie. Depois li "O Mundo de Sofia", de Josteein Gaardner e acordei para a vida, seguido da "Insustentável Leveza do Ser" do Milan Kundera aos 13/14 anos e acordei para a literatura.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Eu leio sempre os livros até ao fim (excepto o "Sangue do Meu Sangue"...). Leio sempre porque tenho fé que seja só aquela parte que seja chata e que até vale a pena ler até ao fim. O último muito chato que li foi "A Selva" de Henry James. Até o "Maktub" do Paulo Coelho li até ao fim e parece-me que, se não fosse tão rápido de ler, talvez fosse parar à lista da pergunta 2...

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
O favorito é "Orlando", de Virginia Woolf *vénia*. Depois, sem ordem concreta, "Combateremos a Sombra" e "A Costa dos Murmúrios", da Lídia Jorge, "Nenhum Olhar" de José Luís Peixoto, "The Yacoubian Building" de Alaa al Aswany , "Ensaio Sobre a Cegueira" de José Saramago, "Cartas Baratas" de Adília Lopes, "O Mundo de Sofia" de Jostein Gaarder...

9. Que livro estás a ler?
"Middlesex", de Jeffrey Eugenides, que, cheira-me, se juntará à lista de livros anterior. E, in the meanwhile, vou dando uma vista de olhos ao "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa.

10. Indica dez amigos para responderem a este inquérito

Orquídea

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Há livros bons.

A minha G.F.B.F.F. tinha, na sua casa há já muito não por mim visitada, este livro. E ontem, por sugestão de empréstimo, não hesitei e trouxe-o comigo. De arte sou uma desentendida... e já quando ela nos mostrou o que andava a ler me surgiu algum interesse. É tempo de re-expandir o universo de leitura para algo mais que medicina, pois desde o Middlesex que não leio nada extra-curricular. So... today(!) I started reading this. E adorei verdadeiramente. É certo que vou no início do terceiro capítulo, mas posso sempre desculpar-me com a ideia muitas vezes referida pelo autor, de que as obras de arte devem ser apreciadas e contextualizadas... e, minhas caras, tudo isso leva o seu tempo.

Papoila