sábado, 12 de dezembro de 2009

A fotografia

Corei um pouco por dentro quando a vi. Fomos apanhadas desprevenidas a meio do jantar. Tu, de braço por cima dos meus ombros e eu, de frente para ti, ajeitando o teu cabelo como adoro fazer. Tal como fazemos todos os dias, supondo que é inocente, que ninguém repara, que um carinho amigo não revela alguns segredos, mas saem-nos os planos furados.
É tão óbvio, meu bem. Pode não ser apenas o braço ou o cabelo nos dedos, mas é algo em nós. A fotografia capta tudo isso que não vemos e que já não controlamos. Exala de nós. O carinho propaga-se e assimila-se nos outros. Eles sabem quem somos e sorriem de volta.

É por isso que, cada vez mais, hei-de ouvir frases como a que ouvi da última vez que contei de nós a um amigo. "Oh, não precisas de me dizer, eu já sei, tola!"

Orquídea

4 comentários:

cegonhagarajau disse...

Porque os olhos e os pequenos gestos não conseguem esconder e os verdadeiros amigos apercebem-se e sorriem conosco : )
Abraço

Four Simple Words disse...

sabe tremendamente bem quando se recebe o típico 'não me estás a dar novidade nenhuma'. os gestos são naturais e cúmplices, a felicidade transborda e torna-se impossivel de refundir o que está realmente a acontecer.
bom início de semana =D

Pano pRa Mangas disse...

A cumplicidade entre duas pessoas espelha-se também no sorriso dos outros.. Beijinhos!

Papoila e Orquídea disse...

Sim, é bom ouvir isso quando é acompanhado de um grande sorriso de apoio e ternura, mas deixa-nos sempre um pouco de pé atrás por pensarmos que também aqueles outros que nos poderão condenar por isso conseguem ver o mesmo. Mas não importa, pois não? Temos tantos e tão bons ao nosso lado! =)